1 de março de 2011

Avaliação (?) na Educação.

Pensar a questão da avaliação nos remete a considerar todo o contexto do processo educativo, pois são fios entrelaçados por onde se pode chegar onde quiser, depende do objetivo de cada um.
De tantos que se pudesse relacionar pensar a avaliação escolar se torna relevante já que envolve pais, crianças, professores e dependendo do olhar a coordenação o sistema...
Análises, julgamentos, avaliações são questões delicadas diretamente relacionadas à criança, que não deveria ser réu, nem alvo de classificação, discriminação e exclusão.
Nenhuma questão do processo educativo pode ser considerada de forma isolada, não caminha ou se cria sozinha, não surge do nada. Estão intimamente relacionadas como: planejamento, condições de trabalho e de acesso, remuneração de professores, avaliação entre tantos. Influenciam-se mutuamente colaborando cada uma com a sua cota para um espantoso e alarmante numero de excluídos dentro e fora da escola caracterizados e elencados na reprovação, repetência e evasão escolar.
Se pensarmos a avaliação como um dos pontuadores, entramos num vasto campo onde a saída ainda não está demarcada, o que há são apenas alguns indicadores que talvez possa levar o professor e outros profissionais da educação a tatear com mais segurança nesse campo.
A avaliação está posta como obrigatoriedade para todos: ENEB, ENEN, anual, semestral, bimestral, quinzenal, semanal, diária... Nesse emaranhado há uma vítima o avaliado, homogeneizado. Não entraremos no campo da avaliação fora do processo educativo para as crianças, que pressiona, julga, submete... também os professores.
Mas considerando a entrada da criança no sistema escolar, onde “há escola para todos”, é até simples, o que não significa que ela tenho sido incluída no processo educativo. Vale lembrar que a avaliação já está valendo no ato da matricula, poucas pessoas olham as falhas do sistema. Se a criança não se inclui no processo, a culpa é dela, porque é tímida, não conversa, não tem cultura, não é interessada... Se não aprendeu entre os trinta alunos da sua sala, a culpa também é dela porque só queria ir para o recreio, dormia na aula, sempre distraída, não tem material em dia, não faz as lições de casa, os pais não se importam...
A criança entra nesse processo com o peso da culpalização, por questões como essas que não são suas. Até que a criança se dê conta disso, o tempo passou, ela desistiu sem ter claro as razões. Brandamente vai sendo excluída pois não da conta das “responsabilidades” (culpalizações) que lhe são atribuídas por aqueles que querem se livrar da culpa: sistema, família, professor... A criança não sabe, não compreende, não consegue se libertar e encontrar a si mesma sob esse processo avaliativo. As notas são a definição derradeira da sua vitória ou da sua derrota, mas ainda não definem tudo. Nesse contexto o processo educativo pode estar centralizando o aspecto cognitivo na decoreba  dos conteúdos implicando co acumulo de dificuldades futuras para a criança que vai precisar daqueles conhecimentos no sistema como está posto.
A avaliação que homogeneíza é a mesma que leva o aluno até a quinta serie sem que ela saiba ler ou escrever e faça uso social disso. É a mesma que dissemina a “cultura do fracasso escolar e do problema de aprendizagem, como desculpas esfarrapadas para um sistema que não dá conta da sua demanda.
Não sei se há como saber exatamente quem consegue passar pelas provações desse funil, talvez os mais fortes, os mais guerreiros, os mais espertos, os de auto estima mais elevada, os protegidos ou seriam os sortudos ?
Poderíamos pensar que há razões obscuras, sob nossas escusas, que de tão ocupados com a inflação que corrói o salário, pelas preocupações com a violência, pela educação dos filhos, pela capacitação em serviço que melhora a possibilidade de classificação, ficamos como as crianças: culpalizados e incapacitados de investigar e permanecendo assim reprodutores do sistema.
Para servir como pontos, sugestões, reflexões acerca daquilo que se faz no momento de registrar a evolutiva de uma criança deixando de vê-la como um dos alunos, sem identidade, sem singularidades, sem grupos sociais aos quais pertence...

Um comentário:

  1. Meu Deus amiga, que coisa mais linda este teu blog, e que inspirador...não consegui ver tudo de uma vez, mas como voltarei sempre não tenho pressa...me emocionei com tanta coisa maravilhosa, encantadora...quanto texto interessante, quantos trabalhos lindos, quantas idéias...parabéns amiga, e obrigada por nos oferecer um pouco de ti que é tão rica e iluminada, bjo cheio do meu carinho mais admiração ainda!

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